31 de out. de 2008

Capitulo 49: Mentiras, olhos castanhos e mãe

– Por que você está tão nervosa, querida? É só me contar o que aconteceu e de onde tirou esses arranhões e galos enormes.
“Só?!”
– Tá bem mãe, como eu sei que você vai descobrir tudo de qualquer jeito, eu vou contar logo toda a verdade... – “Pronto, lá vai!” – Eu caí do palco! Me espatifei no chão, me estatelei na frente de um monte de gente e paguei o maior mico da minha vida! Tá feliz agora em saber que eu sou um fracasso ambulante?
– Querida, todo mundo cai de vez em quando, é normal. Mas você tem que ser mais cuidadosa. Você sempre foi meio desequilibrada, no sentido literal da palavra, claro. Se lembra quando você foi andar de bicicleta pela primeira vez? Eu quase a vendi de tanta frustração! Você caia o tempo todo, meu Deus! Eu até te levei a um ortopedista pra saber se era algum problema nas suas pernas...
– Tá bom mãe. Já entendi.
– E teve aquela vez também que...
– Mãe, chega!
“Ai, que bom que ela caiu nessa. Tomara que não descubra tudo, como sempre faz. Pais são muito fáceis de enganar quando estão namorando, parece que ficam nas núvens! Bom, eu espero que os outros garotos tenham se saído tão bem quanto eu...”
Naquela manhã o tempo estava nublado e o clima encontrava-se como que abafado, naquele “calor sufocante”, que nada tem de quente se comparado a outros lugares mais distantes. Hayley que estava na sala, voltou ao seu quarto e pegou um livro, Laços de Ternura. Deitou-se na cama e foi ler um pouco.

...

Na casa de Jeremy, a coisa não estava tão calma assim e a mesma desculpa que sua amiga usou não colou nem um pouco, então a única alternativa seria contar a verdade. Sua mãe ficou extremamente furiosa, quase podia ver as baforadas de fumaça saindo das suas ventas!
– Mas que idéia essa! – disse ela. – Você não tem jeito, nunca me escuta! Eu devia dar uns bofetes em você, mas já está machucado o suficiente.
Jeremy não dizia uma palavra. Apenas ouvia sentado em uma poltrona na sala, enquanto sua mãe limpava a casa e gritava sermões. Seu pai também ouvira toda a conversa, ou pelo menos se suponha que tenha ouvido, pois sua atenção estava totalmente voltada para a televisão à sua frente. De vez em quando ele erguia o controle remoto para trocar de canal e aproveitava para olhar um pouco seu filho, com aqueles brilhantes olhos castanhos,deu uma piscadela e um sorriso meio que de lado. Sua mãe, que passava agora a espanar os móveis da sala olhava-o fixamente, como se fosse explodir a qualquer momento.
– A culpa foi toda sua, Jonas! – esse era o nome de seu pai. – Você poderia ter dado qualquer coisa de presente ao nosso filho, mas não! Tinha que ser um baixo! E se nosso filho tivesse morrido?! Você parece que não se importa nem um pouco... está me ouvindo, Jonas?!
– Claro que estou, você não pára e tagarelar um segundo. – reclamou ele. – Esse acidente não foi culpa de ninguém e também não há motivos para ficar tão desesperada. Nosso filho está aqui vivo, nós devíamos estar felizes com isso e não discutindo.
Jeremy sempre admirou a maneira com que seu pai falava, mesmo quando estava profundamente irritado, ele nunca alterava a voz e sempre falava a coisa certa na hora certa. Quem o visse pela primeira vez, julgaria ele como sendo um homem rude por causa de sua aparência. Era alto e gordo, meio careca, sua barba sempre mal tirada cobria uma cicatriz em seu queixo. Mas o que mais chamava atenção nele eram seus grades olhos castanhos, quase hipnotizantes. Foram eles que atraíram sua mãe quando eles se conheceram. Sempre conservava um ar sonhador e tinha uma paixão exacerbada por instrumentos de cordas, mesmo nunca tendo aprendido a tocar coisa alguma.
– Podemos parar com isso agora? – sugeriu ele
Sua mãe, como não tinha argumentos para contrapô-lo, continuou a limpar a casa, mas desta vez estava quieta e parecia distante em seus pensamentos. Olhou uma ou duas vezes para o marido talvez pensando em algo para dizer, mas preferiu não falar.
Jeremy continuava calado e sentado na poltrona tamborilando com os dedos na mesinha do telefone à sua direita. Ele prestava atenção a cada gesto que sua mãe fazia com o espanador. “De fato, – pensou ele. – se pudesse, faria meu pai engolir aquele espanador.”

...

Josh e Zac não tiveram muitos problemas em casa. Sua mãe que naquele momento acabara de acordar, não perguntou nada à eles, nem por que estavam tão machucados ou por que haviam chegado tão tarde na noite passada. Apenas tomou um pouco de leite que ainda havia na geladeira e jogou alguns dólares sobre a mesa.
– Comprem algo para comer. – foi o que ela disse antes de trocar de roupa e se despedir.
– Pra onde você está indo, mãe? – perguntou Zac ao mesmo tempo em que tentava acompanhá-la. Josh ficou sentado na cadeira junto à mesa.
– Não é da sua conta. Fique com seu irmão e diga a ele que leve a roupa suja pra lavanderia.
Quando ela saiu, Zac ficou parado atrás da porta de tela observando-a, em seguida voltou à cozinha e sentou em uma cadeira ao lado da que seu irmão estava.
– Ainda bem que tenho você. – disse ele.

26 de out. de 2008

Capitulo 48: Acidente de estrada (continuação)

Ao ver que se aproximava um automóvel, Hayley e Zac começaram a acenar desesperadamente e pediram para que o veículo parasse. Quando finalmente parou perto deles, viram que se tratava de um carro de fazenda, daqueles que tem uma caçamba atrás, o que foi bastante convencional, pois precisavam de um veículo grande para transportar todos os cinco. Mas o que os preocupava era que o veículo vinha do lado contrário ao destino, no caso, Franklin.
Um homem velho e barbudo que usava um macacão muito surrado baixou o vidro direito e, pelo menos pela sua expressão carrancuda, pareceu não ter gostado nem um pouco de ser interrompido em seu trajeto.
– Mas que diabo vocês estão fazendo?! – reclamou ele olhando por cima dos ombros deles, bastante desconfiado por ver dois adolescentes no meio do nada acenando como loucos.
– Senhor, nos ajude! – disse Hayley, agachando-se perto da janela. – A gente sofreu um acidente e nossa vã está no meio do matagal! Nossos amigos estão lá também...
– Calma garota. – disse ele colocando a mão sobre a cabeça dele, e sua expressão ranzinza em um instante deu lugar a um olhar de pena. – Vá chamar seus amigos.
– Vamos buscá-los.
– E eles estão bem? – perguntou ele.
– Eu não sei... – respondeu ela, segurando o choro. – Zac... só um segundo senhor.
Eles correram de volta para onde estava a vã e ao chegarem, tentaram tirar os garotos. Josh também os ajudou, visto que já tinha se recuperado da pancada que sofrera, mas Jeremy e Bob precisaram ser carregados, principalmente esse último que, apesar de ter parado de sangrar, ainda se encontrava desacordado. Levando-os, colocaram os dois na cabine, junto ao motorista e os outros foram na parte de trás.
– O senhor está indo pra onde? – perguntou Hayley ao velho assim que conseguiu terminar de acomodar seus amigos nos assentos.
– Para Brentwood. Vocês são de lá?
– Não. Nós somos de Franklin. – ela ainda pensou alguns segundos antes de dizer isso, pois não havia nascido lá, mas como estava morando lá permitiu-se não complicar mais as coisas e ser breve.
– Mas estavam indo para Brentwood, certo?
– Sim. O senhor poderia nos deixar em nossa cidade? Se não for muito incômodo.
– Creio que poderei fazer isso, mas seria melhor vocês irem logo para Brentwood. Os hospitais de lá são muito melhores e de onde nós estamos só restam cinco quilômetros, mais ou menos, para chegarmos lá.
– Está bem. – disse ela fechando a porta da cabine e caminhando para a capota.
Teve um pouco de dificuldade para subir, mas conseguiu. E logo estavam novamente na estrada seguindo para o mesmo destino de antes, só que agora a missão era outra. O vento frio da noite que jogava seus cabelos era inconveniente, mas todo desconforto do mundo em nada se comparava a terrível prova que passavam naquela noite. E o barulho soturno da noite aliado ao velho motor do carro era apenas o que escutavam, nenhum deles falou durante os poucos minutos de viajem que se seguiram. Só quando pararam em frente ao hospital para agradecer o senhor que os trouxera até lá.
E enquanto caminhavam para dentro do hospital, ainda em silêncio, sentiam-se tão abatidos e ao mesmo tempo agradecidos por terem conseguido sair dessa vivos. Jeremy caminhava apoiado no ombro de Zac enquanto Josh e Hayley tratavam de levar Bob e colocá-lo em uma maca.
– Eu... acho que temos que ligar para nossos pais. Por mais que isso traga conseqüências horríveis... mas é necessário avisar pelo menos aos pais do Jeremy.
– Tem razão, Hayley. Eu me responsabilizo disso, vocês podem ficar aqui sentados e descansar um pouco. Os dois já fizeram muito por hoje.
– E você maninho?
– Eu estou bem, não se preocupem comigo. Vão descansar. Também tenho que ligar pro Viny pra que ele mande um carro para nos levar pra casa.
Zac e Hayley ficaram no sofá, ele deitado no colo dela, e ela fazendo cafuné nele, tentando acalmá-lo e fazer ele esquecer o que se passara. Zac era muito jovem, noves anos de idade apenas e não deveria estar passando por tudo aquilo. Não que fosse tão mais velha do que ele, só dois anos de diferença praticamente.
– Está com fome, querido? – perguntou ela.
– Não... – ele pensou um pouco em silêncio e depois perguntou – Hayley, você acha que o Bob vai ficar bem?
– Claro que sim! Não só ele, como todos nós.
– Mas eu tava pensando também... será que nossos pais vão nos deixar tocar novamente se contar-mos a eles sobre esse acidente?
– Bom, sinceramente, eu não sei. Eu mesma vou ter de virar acrobata pra conseguir enrolar minha mãe de que não estive a beira da morte!
– Com licença crianças – interrompeu a enfermeira que já a algum tempo vinha olhando para eles. – Vocês não acham melhor fazer uns curativos nesses ferimentos?
Os dois se entreolharam, e resolveram que sim.
O tempo passara rápido. Já era meia noite quando o carro apareceu para levá-los para casa. Só Bob que não pôde ir, pois apesar de já estar consciente, precisou ficar de repouso, mas iria embora ainda no mesmo dia.
Durante a viajem de volta, ao passar pelo local do acidente, Josh conseguiu ver a vã jogada dentro do matagal e pensou consigo mesmo: “ela disse que eu sairia dessa... sem dúvida ela acertou nisso também”.

23 de out. de 2008

Capitulo 47: Acidente de estrada

Finalmente Hayley recobrou os sentidos e sua cabeça ainda doía muito. Ela passou os dedos sobre o local em que a dor parecia mais intensa e viu que estava sangrando. Como já era noite, tudo estava muito escuro e era impossível ver o que se passava lá fora. Ainda por cima, todas as janelas estavam totalmente trincadas. Ela estendeu braço direito e sentiu o corpo de Josh ao seu lado, aparentemente ele estava desacordado e começou a gritar desesperada pelos amigos enquanto tentava fazer com que o Josh acordasse dando tapinhas de leve em seu rosto. Lembrou-se de uma pequena lanterna que havia no teto da vã e conseguiu fazer com que ela acendesse.
– Meu Deus! Bob! – gritou ela com as mãos sobre a boca e os olhos arregalados ao ver o rosto de Bob totalmente cheio de sangue e o seu nariz parecia quebrado. A cabeça dele estava recostada no banco, “ele deve ter batido com a cabeça no volante”.
Hayley continuava tentando acordar Josh, ao mesmo instante que chamava pelo Zac e Jeremy. “Ai meu Deus, por favor, não deixe que nada de mal tenha acontecido com eles!”. Depois de muito esforço, ela conseguira abrir a porta à sua direita e saiu da vã. Quando caminhou alguns passos, percebeu que sua perna também estava machucada, mas nada muito sério, e seu busto doía pela pressão do cinto de segurança, “ainda bem que todos estavam usando cinto. Quem sabe o que poderia ter acontecido se não estivéssemos...”
Ela foi até a porta que dava para o compartimento de carga da mini-vã e bateu ferozmente.
– Meninos! Vocês estão bem?! Falem comigo! – sua voz tremia em meio ao choro desesperado e depois de bater forte umas cinco vezes, ela perdeu as esperanças. Encostou a cabeça na porta e ficou aos prantos. Ainda não conseguia acreditar como aquilo poderia estar acontecendo. Bateu ainda duas vezes chamando pelos garotos e conseguiu ouvir a voz de um deles.
– Zac?! Abra a porta! Ela está trancada por dentro!
Em poucos instantes a porta de trás se abriu e Hayley pode vê-lo sentado sobre algumas caixas de equipamentos, Jeremy estava deitado sobre elas.
– Você está bem, Zac? – perguntou ela, passando a mão delicadamente sobre o rosto dele.
– Estou... só meu joelho que dói muito. O Jeremy está desacordado... e o Josh?! Meu Deus, o meu irmão! Como ele está?!
– Ele bateu forte com a cabeça e também está desacordado. Vamos, me ajude a tirar o Jeremy daí.
Hayley entrou com muita dificuldade, jogando algumas pilhas de caixas e alguns instrumentos para fora. Com a ajuda de Zac, conseguiu tirar Jeremy e deixá-lo sentado perto da porta, com a cabeça recostada sobre os ombros do amigo.
– E o Bob?! O que aconteceu com ele?
– Eu acho que ele quebrou o nariz, mas espero que tenha sido só isso mesmo. O rosto dele estava cheio de sangue... segura aí o Jeremy que eu vou ver como eles estão.
Ao caminhar de volta até a cabine, Hayley sentiu-se um pouco tonta. O corte em sua cabeça ainda não havia estancado e continuava sangrando. Ela rasgou a manga da blusa que estava usando e colocou sobre sua testa. Depois abriu novamente a porta e continuou tentando acordar Josh, e dessa vez conseguiu. Os olhos dele foram se abrindo bem devagar.
– O que houve? – perguntou ele, ainda bastante zonzo.
– Nós saímos da estrada e batemos nessa árvore. Você está bem? Sente dor em algum lugar?
– Minha cabeça... – disse contraindo o rosto e pondo a sua mão esquerda sobre a testa, um pouco acima do olho, onde havia um galo enorme. – E meu irmão?
– Ele está bem. Ta lá fora com o Jeremy desacordado.
– Você parece que adivinhou que isso iria acontecer... eu devia ter te escutado... ela também me avisou, mas eu não dei ouvidos.
– Quem te avisou?
– Ninguém, deixe pra lá... meu Deus, o Bob!!
– Ele ainda está sangrando muito. Me dê a sua camisa, eu vou tentar estancar esse ferimento.
Ela dobrou a camisa de Josh e colocou sobre a testa de Bob, bem em cima do corte e pressionou forte. Em pouco tempo uma mancha vermelha cobriu quase todo o tecido.
–Alguém tem que ir até a estrada tentar achar ajuda. – disse Josh, já tentando se levantar, mas Hayley conseguiu impedi-lo a tempo.
– Você não pode sair daqui. Deixe que eu vou atrás de ajuda. Fique aqui segurando a camisa. Pressione forte até que pare de sangrar.
Durante alguns instantes, Josh a observou enquanto ela entrava destemidamente no matagal em direção à estrada. Sem dúvida, Hayley era uma garota metamófica. Aquele olhar de medo e apreensão que ela conservava no começo da viajem havia se dissipado completamente. Como se outra Hayley tivesse surgido, e ele sempre considerou isso como uma de suas maiores qualidades.
– Zac?! – gritou Josh, tentando chamar seu irmão, que respondeu logo depois.
– Você está bem, Josh?!
– Sim, estou! E o Jeremy como está?!
– Ele já acordou! Nós vamos até aí!
Eles vieram apoiando-se um no outro. Os dois mancavam devido alguns equipamentos terem caído sobre suas pernas. Josh abriu a porta e eles sentaram ao lado dele.
– Onde está Hayley?
– Ela foi pra estrada tentar conseguir ajuda.
– Eu vou também. – disse Zac, já saindo da vã e atravessando o matagal. Ao chegar lá, encontrou-a sentada em uma pedra grande, pero do acostamento.
– O Jeremy já acordou? – perguntou ela já o abraçando enquanto ele também sentava ao seu lado.
– Sim. Josh está com ele. – respondeu, e passou o braço sobre o ombro dela, recostando-a em seu peito.
Permaneceram assim em silêncio, até que viram uma luz forte aproximando-se do final da estrada.

22 de out. de 2008

Capitulo 46: Déjà vu

Ainda à tarde, quase noite, os quatro amigos esperavam juntos a chegada do carro que iria levá-los até Brentwood. Como a cidade não ficava muito longe, sabiam que mesmo que demorassem um pouco chegariam a tempo para o show. O equipamento já estava todo arrumado e os integrantes da banda também. Com um pouco mais de meia hora de espera, uma mini-vã preta estaciona bem em frente a garagem dos Farro, que era o local onde combinaram que estariam esperando. Rapidamente os garotos começaram a trazer os equipamentos para o lado de fora para colocá-los dentro da mini-vã e o motorista desceu também para ajudar. Quando viram quem estava dirigindo todos ficaram espantados! Era como se estivessem tendo um déjà vu.
– Bob?! – gritaram praticamente em coro.
– Sou eu mesmo. Como vão vocês?
– Não acredito! Qualquer um, meu Deus! Qualquer um, menos o Bob!
– Calma, garota! Vocês estão vendo que a vã é nova, então não tem perigo de quebrar no meio do caminho... eu acho. – disse ele, ainda ajudando a carregar as coisas para dentro do veículo.
– “Eu acho”?! – exclamaram todos.
– É, eu acho. Nada é impossível, então há uma possibilidade muito remota dela quebrar, como todos nós temos a chance de morrer a qualquer momento.
– Por que ele precisa usar sempre esse verbo pra exemplificar tudo?
– Vamos Hayley, sem frescura – disse Zac, que já estava dentro do automóvel. – Daqui a pouco a gente chega lá.
Enfim terminaram de arrumar tudo e todos entraram na vã. Bob deu a partida e acelerou. Quando estavam já quase saindo de Franklin, ao passar pela ponte da cidade, Hayley ficou admirada com a vista maravilhosa que contemplou pela janela. Quando o inverno acaba, tudo parece que fica muito mais verde e duas vezes mais vistoso. As árvores pareciam brilhar ao reflexo do sol, companheiro muito mais constante agora, e o céu com poucas nuvens completava o cenário digno de uma pintura.
– Que vista linda... – disse ela, sem tirar os olhos da janela.
– É muito linda mesmo. – concordou Josh, que vinha sentado ao seu lado no bancos da frente, próximo ao motorista. Zac e Jeremy iam no compartimento de trás, junto dos instrumentos.
– Pelo que vejo, você deve ter mudado de idéia quanto aquilo que disse, agora que já está aproveitando a viajem. – continuou ele, ainda olhando a paisagem ao seu redor.
– Acho que sim. – foi o que ela respondeu, mas a verdade era que seu sexto sentido ainda alarmava.
Eram quase seis horas quando finalmente caíram na estrada, subindo direto pela US 65. Apesar de ser uma viajem rápida, como já foi mencionado, não deixava de ser tediante, pelo menos durante uma boa parte do percurso. Quando estavam finalmente chegando ao seu destino final, eis que ocorre algo terrível. Um veículo acabara de entrar na contramão e ia colidir com a mini-vã! Todos entraram em estado de pânico! Bob que estava dirigindo não viu alternativas, se é que se pode escolher possibilidades em uma situação dessas, e por um impulso, atirou-os para fora da estrada, dentro do matagal, até que colidiram brutalmente com uma árvore e pararam.

21 de out. de 2008

Capitulo 45: Almoço em "família"

– Hayley, por que você está beliscando a comida? Não está boa?
– Desculpe, só não estou com fome. – respondeu ela, mas sua mãe percebeu que não era só por causa disso que ela estava daquele jeito. Conhecia sua filha mais do que ninguém pra saber que ela sempre adorou quando sua mãe fazia alguma coisa diferente para o almoço.
Na verdade, essa abstinência esquisita de Hayley deu-se ao fato de estar muito pensativa quanto ao visitante que naquele momento ocupava uma cadeira bem ao seu lado. Depois da história que Jeremy e Zac contaram na escola, seu comportamento quanto ao namorado de sua mãe havia mudado completamente. Seu rosto já não estava muito feliz e seu olhar exprimia um leve desagrado. Finalmente depois de um longo silêncio, sua mãe retomou o assunto.
– Então, Shad... conte-nos sobre você.
– O que querem saber? – respondeu ele tentando sorrir pras duas.
– Hayley, não gostaria de fazer uma pergunta? – disse sua mãe, olhando-a com aquele olhos apertados e o rosto levemente franzido, o que fez com que a frase parecesse mais uma ordem do que uma sugestão.
– Deixe-me ver... – essa era uma boa oportunidade para que ela esclarecer algumas dúvidas, então não perdeu tempo. – o senhor já foi casado?
– Sim, já fui casado, mas agora estou solteiro. Divorciei-me a alguns anos.
– E por que motivo se divorciou?
– Hayley! Não seja indelicada! – disse sua mãe franzindo ainda mais seu rosto em uma expressão de pura reprovação.
– Não tem problema, Myle, eu posso responder isso. Nos divorciamos por causa de ciúmes. Minha ex-esposa era muito possessiva e me tratava mais como um pertence do que como uma pessoa. Não agüentei muito tempo nisso, nosso casamento só durou dois anos e meio.
– E o que aconteceu com a sua esposa? – perguntou Hayley, com o braço direito apoiado na mesa e a mão sob a boca.
– Creio que esteja morando com a mãe agora.
– E vocês ainda se falam?
– Não, desde que nos divorciamos nunca mais nos vimos.
– Por quê?
– Hayley, já chega! O que está havendo com você hoje?
– Nada, mãe. Você me mandou perguntar e eu estou perguntado, qual o problema nisso? Deixe-me ver... e você Shad, tem passagem pela polícia?
– É o cúmulo, já pro seu quarto! E não quero que saia de lá até pensar muito bem no que disse a pouco!
– Mas, mãe...
– Nada de “mas”, suba, agora! – Myle falou isso apontando para as escadas e com um ar muito enfurecido.
Hayley não se arrependeu nem um pouco pelo que disse e nem ia fazer isso. Mas preferiu dar o braço a torcer naquele momento, senão estaria de castigo e seria muito mais difícil ir à apresentação sem a autorização da sua mãe. Não que nunca tivesse feito isso antes, pelo contrário! Já era quase uma expert em fugas de casa, mas o relacionamento entre as duas tinha melhorado tanto e ela não queria perder aquilo tudo assim.
– Tudo bem, me desculpe... eu ando muito estressada ultimamente com tantos problemas que venho enfrentando. Não deveria ter perguntado uma coisa dessas, foi muita falta de respeito da minha parte.
Myle surpreendeu-se por demais com a resposta da sua filha. Nunca tinha visto Hayley retroceder daquele jeito, nem quando estava errada.
– Eu acho que cabe ao Shad a resposta a isso.
Ele olhou para Hayley de uma maneira muito estranha. Um olhar frio e distante, como se nem estivesse vendo nada do que se passava ao seu redor, o que fez Hayley morder os lábios e contrair o rosto retrucando brutamente. Sua mãe não percebera nada daquilo, estava apenas esperando uma resposta do seu namorado.
– Bom, se é assim, não vejo porque deixa-la de castigo. – disse ele desviando o olhar para Myle e sorrindo. – Os adolescentes quando chegam nessa fase ficam um pouco rebeldes, é uma coisa natural. Todos nós passamos por isso.
– Tem razão querido. Hayley, depois nós conversamos sobre isso. Por enquanto vamos aproveitar este almoço delicioso que eu fiz com tanto carinho.
– Desculpe mãe, mas não estou com fome. Vou pro meu quarto.
– Mas querida...
– Deixa ela, Myle. – disse ele sussurrando e com um sorriso aberto em sua direção. – Ela tem passado por muita coisa, precisa de um tempo sozinha.
– Você tem toda razão... não vamos incomodá-la então.

19 de out. de 2008

Capitulo 44: Outros planos.

As férias tinham chegado, era tudo o que a banda mais precisava. Tempo era uma coisa rara, as ocupações do dia-a-dia sempre atrapalham muito a rotina de quem deseja trabalhar... isso mesmo, trabalhar! É muito fácil olhar para as pessoas que formam um grupo musical, seja de rock ou qualquer outro gênero, mas principalmente esse e pensar: “Nossa, que vida mais mansa essa deles. Ganhando dinheiro e reconhecimento com as caras, sem falar que tudo é rapidinho, um show dura poucas horas... muito melhor do que o tempo que eu passo catando migalhas do meu chefe”. Mas nada é mil maravilhas, tudo tem os dois lados e cada integrante que forma uma banda tem que trabalhar muito, muito mesmo se quiser ser reconhecido. Existe todo um processo antes de estar em palco. É necessário checar os instrumentos diversas vezes e garantir que eles não possam dar defeito no meio da apresentação. Existe também a montagem do equipamento, a checagem de som, as extensas horas de ensaio, os treinos em casa... tudo isso da muito trabalho. Mas é claro que antes de chegar nesse nível, uma banda de rock sempre começa por uma brincadeira de amigos, como foi o caso da banda formada por Joshua Neil Farro, Zachary Wayne Farro, Hayley Nichole Williams e Jeremy Davis.
Dois dias haviam se passado desde o último dia de aula, mas os amigos continuavam se encontrando todos os dias na garagem, que já consideravam como sua segunda casa. Um dia antes daquele, Josh tinha avisado a todos que tinha uma coisa muito importante pra dizer, mas que só se pronunciaria quando todos estivessem presentes. Como todos estavam lá não viu por que esperar em dar o comunicado.
– Meus caros amigos, tenho uma notícia péssima para todos nós. Infelizmente a nossa banda vai acabar. Sinto muito dizer isso assim, mas não posso fazer nada. É o fim.
Todos olharam boquiabertos para ele e os olhos não menos arregalados.
– Estou brincando pessoal! Vocês são muito fáceis de enganar mesmo, fala sério! Como é que eu ia acabar a banda assim do nada?
– Não gostei dessa brincadeira, Josh. Nem um pouco. Fala logo o que quer dizer pra gente, que tempo é dinheiro, meu bem, e eu ainda tenho muita coisa pra fazer.
– O.k. Então eu vou ser breve. Temos um show em Brentwood agendado pra essa semana ainda. E adivinhem onde a gente vai tocar?
– “Brentwood”... só de pensar nesse nome já sinto arrepios! – disse Hayley passando as mãos pelos braços. – Não me diga que vai ser naquela mesma boate que a gente foi “tocar” uma vez? Vocês lembram muito bem o que aconteceu, acho uma péssima idéia.
– É, mas isso não vai acontecer dessa vez. Eu liguei pra o Viny e acertei tudo com ele. O show vai ser só nosso. Vamos começar a tocar de 9:00 e terminar às 10:00, nada de mais.
– Se eu me lembro bem, você falou alguns dias atrás que não iríamos tocar em lugar nenhum durante esse período das férias para nos dedicarmos somente aos ensaios, não foi assim?
– É, Zac, foi assim que eu disse, mas depois eu pensei bem e vi que não adianta a gente ficar parado! Quanto mais a gente tocar, mais as pessoas vão nos conhecer e mais falarão da gente. É disso que precisamos agora. Claro que não vamos nos prender somente a isso, mas pensem também na experiência que vocês vão adquirir em cada apresentação. Isso soma muitos pontos para nós.
– Tudo bem. Então qual vai ser o dia exatamente? – perguntou Josh coçando a cabeça, ainda tentando entender porque um show na boate do Viny causava tanta intriga.
– Depois de amanhã.
– Nossa! Creio eu então que você já tenha tudo planejado com relação ao transporte.
– Sim, Hayley, já está tudo resolvido com relação isso. O próprio Viny vai mandar um carro pra vim pegar a gente e todo o equipamento.
– Ótimo! O repertório de sempre, ou vamos colocar alguma música nossa?
– Podemos incorporar Conspiracy dessa vez, é a única que está totalmente pronta. E não podemos bobear em escolher uma música que acabamos de pegar.
– Tem razão, Zac. Vamos arrebentar! – Exclamou Jeremy, mas depois se calou ao ver a cara de Hayley, que parecia nem um pouco contente com tudo aquilo.
– Eu não sei não gente, eu to com um mal pressentimento quanto a esse show. Eu acho melhor a gente não ir.
Zac virou-se para ela e segurou seu ombro de leve.
– Deixa de bobagem, garota. É só um show, o que pode acontecer conosco?

18 de out. de 2008

Capitulo 43: Avisos

Josh estava parado na calçada. Era noite e seu coração palpitava forte. Nunca havia tido um dia tão difícil como aquele e seu senso dizia que aquilo não tinha sido tudo. O clima frio de um dia atrás tinha ido embora e as nuvens que naquele instante cobriam totalmente o céu pareciam mais espessas do que o normal. Caminhou alguns passos adiante e olhou para trás. Tudo estava completamente deserto, não havia um ser humano sequer, mas ainda sim ele conseguiu ouvir vozes e passos que a cada instante tomavam um ritmo mais acelerado. Era como se uma multidão de pessoas estivesse correndo em sua direção, mas ele não conseguia ver ninguém! Sentiu-se desesperado e por impulso começou a correr, mesmo não sabendo que caminho tomava nem para onde estava indo. Finalmente deu-se por vencido e parou. Estava muito cansado e, por mais que continuasse correndo não conseguiria distância suficiente para se livrar daquela “multidão”. Ao perceber que aquele barulho havia ido embora, sentiu-se bem mais aliviado, pelo menos por alguns instantes. Ao olhar do outro lado da rua percebeu que alguém o estava observando e essa pessoa começou a andar em sua direção, atravessando a estrada calmamente, até que um veículo apareceu de repente. Nem deu tempo de gritar. A pessoa já estava no chão. Havia sido atropelada por aquele veículo estranho que nem parou para prestar socorro. Josh fugiu para buscar ajuda e atravessou duas ruas adiante, mas não encontrou ninguém e ele sozinho não podia fazer nada. Sentiu-se inútil. Deveria ter feito alguma coisa, mas o que? “O que eu poderia ter feito?!”, gritava ele ao mesmo tempo em que chorava com as mãos na nuca. Preferiu voltar ao lugar do incidente e rapidamente chegou lá. Mas para sua surpresa o corpo havia sido retirado e não havia manchas de sangue ou nada que indicasse que uma pessoa teria sido atropelada ali. “Mais como? Eu mesmo vi!”, dizia ele pra si mesmo. Naquele instante ele sentiu como se uma pessoa tivesse tocado de leve seu ombro e ele se virou para ver quem era.
– Janet?! O que está fazendo aqui?
– E quem disse que eu sou a Janet? Você me acha parecida com ela, querido? Mas eu vou te dizer uma coisa: você está tentando me ver quando olha pra ela e eu sei disso. Não gosto de ser trocada, Josh. Não gosto de ser substituída.
– Any?! Mas como... como isso pode estar acontecendo?!
– E não está. Eu não estou mais aqui, você sabe disso, não sabe? Então por que você vive como se eu ainda estivesse aqui?
– Eu só pensei... o que vai fazer?
– Eu? Nada. Mas você, o que está fazendo? Por que se interessou pela Janet? Você a ama de verdade? Quando você a beija quem você vê?
– Eu... eu não sei.
A garota olhou para ele friamente e apontou para a estrada.
– Tenha cuidado e não tenha medo. Você vai sair dessa.
– O que você quer dizer com isso?
- Você vai ver...
Finalmente ele acordou. Estava todo suado e assustado. Olhou ao redor e viu tudo escuro. Ainda estava de noite.
– Zac! Zac!
– O que foi mano! E que cara é essa? Teve um pesadelo?
Sorte que ambos dividiam o mesmo quarto. Josh nunca ficou tão feliz por isso.
– Sim... eu tive um pesadelo terrível!
– Poxa, cara. O dia ontem foi tão bom, você deveria estar sonhando com unicórnios e potes de ouro agora... quer me contar como foi?
– Agora não, senão vai ser pior pra eu esquecer o sonho. Deixa que amanhã eu te conto.
– Tudo bem, então tente dormir.
– Só segundo... que história é essa de unicórnios e potes de ouro?!
– Não sabe o que é um unicórnio? São aqueles cavalinhos brancos que tem um chifre muito bonito no alto da cabeça e fazem um barulho bem engraçado quando a gente coça a barriga de... quer dizer...
– Quer dizer que você tava sonhando com unicórnios e potes de ouro?! E o que tinha mais? Um arco-íris e alguns gnomos? Ta complicado o negócio em maninho...
– Ah, não seja idiota! Vá dormir logo!
“Era fácil dizer isso. Difícil é quando a gente dorme e fica voltando pro mesmo sonho a noite inteira.”

17 de out. de 2008

Capitulo 42: Último dia de aula.

Finalmente as férias estavam chegando! Aquele seria o último dia de aula e Hayley estava empolgada. O tempo frio de quase todos os dias se dissipava, dando lugar ao sol que já aparecia entre nuvens. Hayley estava muito feliz apesar de um pouco intrigada com a notícia que recebera ontem de que sua mãe estava namorando. No fundo sempre desejou isso, pensava “talvez se ela encontrar um namorado deixe mais de pegar no meu pé”. Agora que aquilo se tornara real, uma ponta de ciúmes ardia, mas procurou dar o máximo de si para não deixar que isso transparecesse. “Minha mãe merece ser feliz com alguém que goste dela de verdade”, e Shad Oliver parecia ser um “cara legal”. Todavia precisava correr, estava atrasada e o último dia de aula é quase tão importante quanto o primeiro, talvez até mais.
Na parada onde sempre esperava o ônibus, Hayley ficou sentada ouvindo seus companheiros contarem seus planos para as férias. Alguns diziam que viajariam para o exterior com os pais, outros para dentro do país para visitar algum parente distante. Os dela, guardava-os para si, mesmo porque não havia muito o que contar. Ensaiaria com a banda, ensaiaria com a banda e ensaiaria com a banda... a única coisa diferente seria visitar suas irmãs em Meridian, e nisso ela estava ansiosa. Quase conseguia imaginar como a via seria diferente depois desse encontro.
O ônibus finalmente chegou e dentro de pouco tempo ela chegou à escola e, logo na entrada avistou Zac e Jeremy sentados próximo ao portão.
– E aí gente, como se saíram nos exames finais? – perguntou ela e logo em seguida sentou-se junto deles.
– Passei, passei, passei. – disse Jeremy cantarolando e fazendo uma dançinha esquisita – Finalmente! Obrigado Deus! Não agüentava mais repetir de série!
– Nem me fale em exames! Fiquei reprovado de novo, pra variar. – Disse Zac com os braços cruzados e aquela cara emburrada de sempre.
– Tudo bem, então não vou mais tocar no assunto. Vamos falar de outra coisa. Namoro? Minha mãe ta namorando sabiam? Era só o que eu me faltava mesmo.
– Nossa, quem é o cara?
– O Nome dele é Shad Oliver. Conhecem?
– Ih, Hayley, maior furada! Esse cara é um troglodita! Eu ouvi falar que ele batia na ex-mulher dele e tudo!
– Nossa! É sério isso mesmo?!
– Bem, sério, sério mesmo, eu não sei. É o que o povo diz, não é? Nem sempre o que as pessoas dizem é verdade...
– Eu também já ouvi falarem sobre isso. – Confirmou Zac – E por falar em namoro e troglodita olha só quem vem ali!
– Quem, o Josh?
Os três caíram na gargalhada.
– Ele mudou muito depois que começou esse namoro. Agora é Janet pra cá, Janet pra lá, Janet blábláblá...
– Hm, Zac, sei não... até parece que você ta com ciúmes.
– Não enche, Hayley! E vocês sabiam que o pai dela proibiu? Agora eles se encontram às escondidas. Quase toda noite eu o vejo saindo depois do ensaio, e quando eu pergunto pra onde vai, ele sempre inventa uma desculpa diferente.
– Parem de falar que ele está chegando!
– Oi galera!
– Oi Josh. – Disseram todos.
– ...mais que silêncio é esse? Eu vi que vocês estavam conversando agora a pouco, pararam por quê? Estavam falando mais de mim, é? Suas caras não e enganam que sim.
– Por que estaríamos falando de você? Deixa de ser paranóico... – Hayley e os outros perceberam a movimentação de gente um pouco mais adiante ao redor da velha árvore na frente da escola. –Mas o que é aquilo?!
Os quatro logo correram para saber o que estava acontecendo e deram de cara com a cena mais engraçada que já tinham visto naquela escola. Uma garota estava em cima da árvore gritando um monte de barbaridades para todos ouvirem. E realmente todos estavam ouvindo porque a escola em peso correu pra olhar a garota da árvore reclamar da sociedade.
– O que está havendo? – perguntou Hayley a uma garota que tentava puxar sua amiga de cima da árvore.
– É a Katrina enlouquecendo. Desce logo daí garota!
– Vocês são um bando de idiotas, seus professores filhos da mãe! Pensam que sabem de tudo? Vocês não são de nada! Ainda bem que esse é o último dia que eu vou estar aqui nessa escola!
– Ainda bem mesmo, não é sua maluca! Senão você já estava expulsa da escola!
Todo mundo se divertia com o show. Alguns gritavam, outros apoiavam a Katrina que mais parecia um governante com aqueles discursos destrutivos, como alguns dizem, mas ela era a “voz do povo” naquele momento. Quem acabou mesmo com a diversão foi o zelador que chegou pouco tempo depois mandando todo mundo “circular”, como ele dizia. No final de tudo Katrina virou uma lenda na escola e o seu nome foi escrito na árvore em memória ao dia do “desabafamento”, como alguns chamaram.
As travessuras do dia não acabaram ainda, mas essa última foi bem mais discreta. No final da última aula Zac, Hayley, Josh e Jeremy se encontraram nos fundos da escola para fazer aquilo que tinham planejado.
– Trouxeram as tintas, meninos?
– Eu trouxe! – disse Zac – Mas não gastem muito porque ainda tenho dois muros pra pichar!
Eles picharam seus nomes e colocaram o nome da banda do lado. Prometeram voltar depois naquele mesmo lugar, ainda unidos e justaram as mãos para selar o pacto. Não sabiam se essa promessa estaria de pé daqui a alguns anos, mas tinham a certeza de que seus destinos estavam unidos por algo muito forte, muito além de amizade. Era praticamente como se seus destinos estivessem presos por um forte laço que nada nem ninguém poderia separar.

16 de out. de 2008

Capitulo 41: A verdadeira História

No mesmo dia à tarde, quase noite, a Sra. Jonas voltou do trabalho, desta vez acompanhada de um visitante no qual Hayley nem deu muita atenção, na verdade, não estava dando atenção a coisa alguma. Apenas tratou de subir rapidamente para seu quarto e dentro de pouco tempo desceu as escadas carregando sua mala de viajem e sua mochila nas costas, que pelo visto já estavam arrumadas há algum tempo.
– Mas o que está acontecendo? Aonde vai com essas malas?
– Vou para Mississipi! E nem tente me impedir!
A Sra. Myle Jonas pediu desculpas ao homem que a estava acompanhando e seguiu sua filha que acabara de entrar pela porta da frente.
– Hayley! Volte aqui agora mesmo! Que idéia é essa de ir para Mississipi? Está ficando louca?
– Estou sim! Estou ficando louca sim! Quer saber por que estou ficando louca? Eu vou te dizer então: por que você não me contou que eu tinha duas irmãs? Você sempre esconde tudo de mim! Eu aposto que você sabia disso e aposto que tem muito mais de onde isso saiu. Vamos, me conte o que esconde de mim! – Fez uma pausa evidentemente esperando uma resposta para suas indagações. Como não houve, prosseguiu: – Vai ficar calada como sempre, não é? Está tudo bem, já estou acostumada. Se não tiver nada pra dizer, por favor, não me interrompa.
– Quem... te falou isso? – murmurou ela, com seus olhos já cheios de lágrimas. Seu rosto estava pasmo e lapsos de lembranças passavam diante de seus olhos.
– Ora, quem mais podia ter dito? – perguntou Hayley. – Meu pai! Ele telefonou pra mim. Temi que não fosse verdade, mas pela cara que você fez quando te falei isso já não tenho dúvidas. E aí, vai ficar me olhando desse jeito ou vai me contar toda a verdade?
– Minha mãe vivia dizendo que mentira tem pernas curtas e mesmo que eu não contasse tudo algum dia você ia acabar descobrindo tudo. Sem dúvidas, ela estava certa. – Fez uma pausa e respirou fundo. Em seguida prosseguiu. – Não lhe pra mim como se eu fosse um mostro, eu sei que errei. Eu devia ter te contado tudo desde o começo. Não pense que você é a única vítima nessa história. Eu e seu pai nunca fomos um casal feliz. Ele queria uma vida de solteiro, me traindo e gastando tudo aquilo que eu juntava com tanto esforço. Mas escolhemos viver todos esses anos juntos, dividindo a mesma casa, mesmo sem nos gostarmos, até que um dia aconteceu o pior. Seu pai estava de caso com uma mulher casada há mais ou menos dois anos. Eles eram metidos com drogas, os dois. Isso ele me contou pouco tempo antes de nos divorciarmos. O marido dela descobriu toda história e jurou de matar seu pai. Se lembra da história que eu te contei de que seu pai havia matado um homem? Foi em legítima defesa, mesmo assim ele fugiu e polícia agora está atrás dele. Isso é tudo. Então, ta satisfeita em saber como minha vida foi um fracasso? Agora me dá essa mala e vamos pra casa.
– E as minhas irmãs? – perguntou Hayley, quase sussurrando.
– A respeito disso eu não sei muita coisa. A amante do seu pai tinha tido duas filhas durante esses anos, mas eu sempre pensei que elas eram fruto do casamento e não do seu pai.
– Então você não sabia disso?
– Não filha, eu na sabia. Juro por tudo que é mais precioso pra mim.
Myle passou o braço pelos ombros de Hayley e pegou a sua mala. Mãe e filha caminhavam de volta para casa, agora bem mais tranqüilas. Toda a verdade tinha sido esclarecida e as duas fizeram uma promessa de que nunca mais esconderiam nada uma da outra.
O visitante que esperava as duas na entrada da casa estendeu a mão direita até Hayley e a cumprimentou.
– Hayley, esse é Shad Oliver, meu namorado.

15 de out. de 2008

Capitulo 40: O telefone toca novamente

– Hayley, – disse a voz do outro lado da linha – por favor não desliga o telefone!
A mesma voz que a chamara uma vez agora voltara, mas agora com um tom um pouco mais agudo e rouco. Não havia dúvidas dessa vez, tinha de ser seu pai! Hayley estava com medo e seu corpo tremia desde o dedão do pé até seu último fio de cabelo. Mais uma vez teve o azar de estar sozinha em casa ao receber essa ligação. Precisou sentar no sofá para não cair.
– Você precisa ouvir o que eu tenho a dizer – continuou ele.
– P-Papai? Por fa-favor não faça isso comigo eu... estou muito nervosa. Onde você está?
– Não importa filha, só escute. Tem uma coisa que eu acho que você deveria saber: você tem duas irmãs. Elas se chamam Erica e McKayla, elas estão provavelmente morando com sua avó em Meridian.
– Mas... como? Como eu nunca soube disso?!
Essa notícia era surpreendente demais! Hayley estava completamente confusa, a sua mãe nunca havia contado isso, ou talvez ela nem soubesse.
– Pai... pelo amor de Deus me diga que você não esteve aqui ontem!
A ligação estava ficando ruim.
– Bem que eu que... filha mas n... se ... mo.
– Pai?! Pai a ligação está caindo. Alô?... Alô?!
O telefone ficou mudo e Hayley também. Apoiou as mãos no rosto e pôs-se a chorar com lágrimas ferozes e abundantes que escorriam pelo seu rosto até perderem o equilíbrio e caírem na sua roupa. Estava sem saber o que fazer, o seu coração estava muito machucado e sua mente não estava preparada para aquilo.
Naquele instante a campainha de sua casa soou. Hayley enxugou as lágrimas que ainda saiam involuntariamente de seus olhos. Ao abrir a porta surpreendeu-se com a visita, mas não muito.Tentou ficar irritada, mas não conseguiu. Era impossível encobrir aquilo que estava sentindo e que a tomara completamente.
– Hayley? O que aconteceu?!
– William... agora não... por favor, vá embora...
Ela a tomou em seus braços e ela não resistiu. Era tudo o que precisava naquele momento. Suas lágrimas presas saíram ainda com mais força em um choro quase desesperado. Ele a apertou ainda mais contra si. Ficaram assim muito tempo até que ela se acalmou.
– Hayley, eu sinto muito pelo que eu fiz. Me perdoa,por favor.
– Eu te perdoou sim.
– O que aconteceu com você?
– É uma longa história... eu preciso ficar sozinha agora.
– Tudo bem eu te entendo. Mas se precisar de alguém é só me chamar.
– William – disse ela olhando seriamente – eu te perdoei sim, mas não pense que tudo vai ser como antes, porque não vai. Tudo bem, podemos ser amigos, nada além disso. E eu te peço que não tente me enganar de novo porque não vai haver segunda chance. O que você fez foi péssimo e eu espero que você tenha aprendido a dar mais valor às pessoas.
– Sim. Eu aprendi a lição.
– Agora se me dá licença, tenho alguns problemas que preciso... resolver.
– Claro! Então... a gente se vê.
Antes de sair, William fitou Hayley por alguns instantes. Ela não estava mais com aquele olhar triste que encontrou ao chegar lá. Ao contrário, ela parecia mais determinada, com uma mistura de coragem e indignação. Ele não sabia o que se passava na mente dela, ou o que a havia abalado, mas com certeza tinha recuperado as forças e estava decidida a fazer algo. Seja lá o que for.

14 de out. de 2008

Capitulo 39: Encontro às escondidas

Caminhando calmamente pela noite fria de Franklin estava Josh. O lugar em que ele passava naquele momento parecia com aqueles bairros em que só há lojas. Já eram mais ou menos 10:30 da noite, o ensaio da banda já havia acabado e todos os integrantes se dispersado para suas casas. Tudo era só tranqüilidade, pelo menos era o que aparentava porque por dentro sentia-se muito nervoso por estar fazendo uma coisa errada.
A semana estava acabando, já era sexta-feira e, como se não bastasse as preocupações com a banda e os problemas familiares, o pai de Janet não permitira seu namoro com ela.
Tudo aconteceu há dois dias, ao final da quarta-feira, quando ainda estavam comemorando a vitória da batalha das bandas, Josh levou Janet à sua casa. Um gesto muito cordial, mas que foi mal interpretado pelo pai dela, um homem muito rude que, a seu ver, trouxe muitos prejuízos para o seu relacionamento com ela ao proibir que os dois se vissem. Isso Josh só ficou sabendo no dia seguinte quando a encontrou na escola e lá mesmo combinaram um encontro às escondidas na sexta. Foi o que aconteceu, ou, pelo menos, foi o que Josh estava fazendo de tudo para de acontecesse.
Ele sentou em um banco na esquina da rua em que Janet morava e esperou. Depois de mais ou menos quinze minutos, ela apareceu vindo do final da rua, e ao vê-lo passou a caminhar mais depressa. Ao chegar onde ele estava sentou-se ao seu lado.
Josh fitou-a um pouco. Estava usando um casaco na cor bege, calça jeans simples e um tênis branco. Seus cabelos cacheados e ruivos estavam presos em um rabo de cavalo, mas algumas mechas soltas caiam delicadamente sobre o seu rosto. Sua expressão não deixava transparecer em nada de que estava com medo, mesmo porque não estava. Um simples “oi” saiu de seus lábios corados pelo frio e logo um belo sorriso brotou dos mesmos. “Está frio hoje”, foi o que ela disse e logo os braços do seu acompanhante envolveram-na em um caloroso abraço. Ouviu-se um suspiro por parte de ambos e novamente o sorriso de Janet fez a sua momentânea e cordial reaparição.
– “Seria cômico se não fosse trágico”, é o que Shakespeare diria. Eu já pedi desculpas pela noite de quarta-feira?
– Já.
– Por que você está tão quieto hoje? Aconteceu alguma coisa, ou o frio congelou sua língua?
– Não sei.
– Pois eu sei muito bem como aquecê-la.
Josh sorriu, naquele sorriso desconcertado, olhando para os lados sem saber o que dizer.
– Sabe é?
– Sei sim.
Logo o beijo fez silenciar aquela breve conversa boba. Aquela simples fuga de casa foi transformada em uma romântica noite de inverno. Daquelas em que os casais saem por aí nas mais incríveis aventuras em busca daquilo que mais desejam: um ao outro. Isso a fazia lembrar-se da história de Romeu e Julieta e seus intermináveis beijos soturnos, acudidos pelo silêncio de Verona. Logo ela teve uma idéia.
– Vamos, quero te mostrar um lugar, mas eu tenho que passar em casa pra pegar minha bicicleta. E não se preocupe que eu já deixei ela esperando por mim do lado de fora.
Dentro de pouco tempo Janet reaparece, desta vez pedalando em sua bicicleta.
– Você me leva na garoupa. Não está pensando que eu tenho força para levar você, não é meu bem? Eu indico o caminho.
– Tudo bem, então segura aí!
E saíram os dois aos pedalos, cortando o silêncio absoluto que até então reinava supremo na noite, dando lugar a longas risadas.
– Janet, diz se já estamos perto! To ficando cansado já!
– Você reclama demais! Ta vendo aquela árvore grande ali na frente? Encosta a bicicleta lá.
A árvore era um imenso carvalho. Impossível não ficar estático diante da beleza daquela velha senhora, visto que muitas já haviam sido derrubadas para dar lugar a concreto e asfalto. Ao pararem lá, Janet tirou do bolso do casaco uma lanterna e um pequeno caderninho de capa preta.
– O que é isso aí? – perguntou Josh tentando ver o que era.
– Não seja ansioso. Venha, me siga.
E ele a seguiu. Onde estavam não havia iluminação e como não havia lua para clarear a lanterna até que se mostrou bem útil. Logo chegaram até num pequeno banco de madeira construído perto de onde passava um córrego e ficava embaixo de um salgueiro. Com a luz da lanterna, Josh pode ver algumas datas escritas no tronco da árvore e perguntou o que significava aquilo.
– São as datas mais especiais pra mim. Esse é o meu local secreto. Eu sempre vinha aqui quando era criança para pensar e ler. Hoje eu uso esse lugar como fonte de inspiração para escrever minhas poesias.
– E você escreve poesias? Por que nunca me contou?
– Você nunca perguntou... olha, – estendeu seu caderninho até as mãos dele – é aqui onde eu falo o que penso do mundo.
Josh folheou as páginas daquele caderninho surrado pelo tempo até encontrar algo que o fez parar e ler em voz alta.

“Eu sempre te procuro
Em algum lugar distante
Mas não te encontro
Onde está você, amante?

Nas noites sem estrelas
Eu preciso do teu afago
Te vejo entre areias
Em dunas me apago

Tua miragem encanta
O canto do meu deserto
Sozinhos para mim canta
Cantigas de amor eterno

Rendo-me aos teus feitiços
Tu preenches o meu leito
Assume os teus caprichos
Sustenta-me em teu peito.”

Ao terminar de ler isso parou por um instante e olhou no fundo daqueles lindos olhos conseguindo ver através deles a pessoa tão maravilhosa que se escondera a tanto tempo em uma biblioteca fria, tão fria quanto aquela noite.
Houve mais alguns abraços e mais alguns beijos, mais alguns papos e findaram o encontro.
Josh porém, alguns momentos depois de tudo aquilo se sentiu aflito. Afinal quem ele estava beijando, Janet ou Any? Não havia dúvidas de que as duas eram por demais parecidas fisicamente, mas por dentro mostravam suas individualidades. Por fim pôs a cabeça no lugar.
– O presente, Josh. Esqueça o passado.
Foi o que fez.

13 de out. de 2008

Capitulo 38: Um acontecimento inesperado

– Mas como alguém pode ter entrado aqui se todas as portas estavam trancadas? – disse a Sra. Jonas preocupadíssima.
Dois dias haviam se passado desde que a batalha das bandas aconteceu em Franklin. Infelizmente todo o clima de paz havia sido perturbado. Tudo começou no final da sexta-feira quando a Senhora mãe de Hayley encontrou a porta da casa escancarada e totalmente bagunçada. O espanto foi tremendo, principalmente quando viu que Hayley não estava em casa.
A notícia correu logo por toda a cidade de que a garota que ganhou a batalha das bandas havia sumido e a sua casa tinha sido arrombada e assaltada.
– Como é que eu posso ter sumido se estou bem aqui mamãe?! Eu estava no ensaio quando fiquei sabendo dessa conversa.
– Querida! Ainda bem que você não estava aqui! Olha só o que fizeram com a nossa casa! – falou ela com lágrimas nos olhos e depois de um longo abraço contou tudo o que ficou sabendo da invasão.
– E a gente pode entrar? Ta ficando frio aqui fora.
– A polícia está lá dentro ainda fazendo a perícia. É melhor que a gente não entre por enquanto.
Depois de um longo período de espera as duas resolveram entrar para saber do delegado por que aquilo estava demorando tanto. Os policiais ainda estavam procurando pistas pela casa e pareciam de alguma forma preocupados, o que deixou a Sra. Jonas ainda mais nervosa.
O delegado, que por sinal estava presente, se dirigiu até as duas para explicar o caso.
– A senhora é a dona da casa? – perguntou ele com aquela voz abafada pelo enorme bigode dourado que quase cobria sua boca.
– Sim. Sou eu, senhor delegado. O que aconteceu aqui?
– Pirimeiramente deixe que eu me apresente. Sou o delegado Carl. A senhora é...
– Sou Myle Lee Jonas.
– Muito bem, Sra. Jonas, estamos muito intrigados com isso tudo. Ao contrário do que dissemos anteriormente a casa não foi assaltada, pelo menos, tudo o que alguém poderia te levado está bem aqui, apesar da bagunça. A porta, como a senhora pode perceber, não foi arrombada.
– Mas como entraram aqui então? – perguntou ela já bastante aliviada, mas ainda sim um pouco nervosa.
– Ainda não sabemos, mas a senhora pode nos ajudar. Quantas cópias da chave da porta da frente a senhora tem?
– Duas. Uma minha e uma da Hayley.
– E vocês estão com elas aí?
– A minha está aqui. – respondeu Hayley, mostrando a sua chave.
– A minha está na bolsa. Só um segundo... – a Sra. Jonas começou a revirar todos os bolsos mas não conseguiu encontrar a cópia da chave. – Elas deviam estar aqui. Eu devo ter deixado em algum lugar.
– A senhora trancou bem a porta antes de sair?
– Com certeza! Eu sempre checo a maçaneta antes e a Hayley nunca sai pela porta da frente quando vai pro ensaio.
– Eu sempre uso a porta dos fundos. – respondeu ela tranqüilamente.
– Bom, por enquanto eu recomendo que a senhora troque a fechadura. O policiamento está mais intenso nessa região, então qualquer coisa é só telefonar.
– Muito obrigado Senhor delegado. Ficaremos alerta a qualquer coisa estranha.
O delegado Carl fez um breve aceno com seu chapéu e saiu seguido dos outros três policiais que estavam na casa.
– Pois é querida, não vai ser nada fácil arrumar essa bagunça, mas nós temos que agradecer a Deus por nada de ruim ter acontecido conosco.

11 de out. de 2008

Capitulo 37: Reunião às 6:00 pm

– Mas que idéia! – exclamou Hayley. – Mudar o nome da banda? Josh, você só pode estar brincando!
– Calma gente, me deixe explicar. Esse nome “Paramour” é bem legal, mas todo sempre pede pra soletrar quando vai escrever. Eu mesmo já passei por vários incômodos desse tipo. Mas é claro que nós não vamos trocar de nome! Eu estou falando apenas de acrescentar um “e” no final da palavra pra ficar “Paramore”. Soa bem melhor, vocês não acham?
– Sem dúvida! – concordou Zac. – Até acho que você deveria ter pensado nisso antes.
– Tem outra coisa muito importante que precisamos conversar – continuou Josh. – Como foi anunciado, nós ganhamos um contrato com uma gravadora em Nashville pra gravar umas demos, mas para que a gente posso gravar temos que criar as músicas. Estou certo?
Todos fizeram um gesto afirmativo com a cabeça.
– Então – prosseguiu ele – vai ser nisso em que vamos nos dedicar por enquanto, pelo menos por esses últimos meses: escrever músicas, criar melodias e arranjos. Precisamos de pelo menos quinze músicas prontas até o final do ano.
– Isso é quase impossível, mas vamos tentar. Quando é que começam as gravações? – perguntou logo Jeremy que, por sinal, estava muito interessado.
– O Sr. Coll garantiu que quando a gente quisesse o estúdio estava à nossa disposição.
Josh saiu um pouco da garagem para beber um pouco de água na cozinha de sua casa, enquanto isso o silêncio que até aquele momento tinha reinado, continuava. Hayley, Zac e Jeremy se entreolharam e depois encararam Josh que voltava com um copo na mão. Hayley puxou o coro.
– 1, 2, 3, já!
– Ta namorando! Ta namorando! Ta namorando! – gritaram todos de uma vez.
– Ah! Pára, eu nem to namorando! Isso me lembra de uma contas que eu tenho que acertar com vocês, suas pestes! Pensam que eu não vi, quer dizer, pensam que todo mundo não viu vocês correndo e gritando por entre os carros no estacionamento?!
– Eu falei que não era pra gritar, mas esses dois parecem duas cirenes!
– Olha mano, a idéia foi toda da Hayley! Ela que obrigou a gente a ir espionar você, não foi Jeremy?
– Foi sim, foi sim!
– Eu não quero saber quem foi! Seu eu pegar vocês me espionando de novo eu viro do avesso! Tão avisados! E vamos voltar a falar sobre coisas importantes. Alguém tem alguma dúvida quanto ao que tratamos anteriormente?
– Eu tenho.
– Pois pergunte Zac.
– Você ainda não disse o nome dela.
– Vocês não tem jeito mesmo... é Janet! Pronto, falei!
– Janet? Rima com chiclete, croquete...
– Rima com tiete também! Dá pra criar uma música não é Zac?
– Agora é sério gente. Vamos parar com isso?
– Ta bom Josh, foi mal. É o Zac que fica me influenciando.
– Olha só quem fala! Foi ela que começou tudo.
– Parou! Olha, tem mais uma coisa que eu quero conversar com vocês. Diz respeito ao prêmio em dinheiro que a gente ganhou. Seria bom se guardássemos pra equipamento, essas coisas. Não adianta gastar tudo.
– Mas todo o dinheiro?
– Não Jeremy. Pelo menos metade estaria de bom grado. Eu sei que daqui pra frente todo o dinheiro que a gente economizar vai ser pouco. Vocês concordam?
Todos concordaram.
– Excelente! Estamos perto das férias também. Vamos ter mais tempo para trabalhar. Puxa vida! Agora que me toquei! Vocês tem idéia de como tudo melhorou para nós? Eu nunca pensei que um dia pudéssemos chegar até aqui.
– Nem eu maninho, nem eu. Estamos em outro nível agora! Demos, cara! Quando é que eu me imaginei gravando uma demo?
– É como você diz, outro nível. Precisamos nos adequar também a esse nível. – concluiu Josh.
Agora a Paramore estava definitivamente batizada. Depois de todas as conquistas dos últimos meses, de todos os desafios que enfrentaram, tudo seria mil maravilhas agora, certo? Receio que não. A vida às vezes pode ser muito boa e muito má para com aqueles que querem ser grandes e nada se consegue sem trabalho, suor e sangue...

10 de out. de 2008

Capitulo 36: Pulando e gritando!

“Quando vamos nos apresentar em um palco para uma platéia é bom não pensar muito e sim fazer”. Foi com esse pensamente no cabeça que Josh, Zac, Jeremy e Hayley fizeram uma de suas mais importantes apresentações ao vivo. A platéia estava repleta de pessoas conhecidas que, de algum modo, interferiram para que aqueles garotos um dia pudessem estar juntos.
Ouviu-se o clássico som da microfonia e em seguida o som da bateria, dando o ritmo. A guitarra e baixo vieram logo depois formando uma introdução harmoniosa. Enfim a voz da vocalista fechou a cadeia de acordes rebeldes e transformou-a em sublime poesia. Havia emoção em cada nota, como se a vida deles dependesse de cada acorde, e a letra da música dizia tudo o que se podia dizer naquele momento, enquanto muita gente no público acenava, dançava, pulava, assistia. “Nós somos grandes, nós temos algo para oferecer”, é assim que diziam dentro de si.
Lá em cima do palco, enquanto cantava, Hayley pode ver sua mãe que gritava feito uma louca e acenava histericamente. Josh conseguiu ver Janet que, apesar de estar distante do palco, acenava e demonstrava apoio a distância. Jeremy procurou uma pessoa no meio da multidão, mas só avistou quase no final da música olhando com um sorriso no rosto e pensou, “William, eu sabia que você viria”. Já Zac não avistou ninguém, visto que seu campo de visão não o permitia.
Quatro minutos passam rápido, mas compensam todo o trabalho duro, desde que tudo corra bem e você consiga mostrar pelo menos um terço daquilo que você preparou com tanto cuidado. E foi assim. Agora era só sentar e esperar. Ainda tinham umas quatro bandas que iriam se apresentar depois. Assim que terminaram de tocar, o público mostrou logo a preferência com gritos e aplausos e assovios. Paramour era a única banda de Franklin que se apresentou.
Por fim, o grupo agradeceu o apoio e se despediu.
– Nossa, gente! Foi muito legal! Muito legal mesmo! Parabéns pela apresentação!
– É, vocês são demais!
– Valeu gente! – agradeceu Josh, muito feliz pelos comentários de alguns integrantes de outras bandas.
Eles se juntaram ao monte de pessoas que estavam na platéia e foram assistir o restante das apresentações. Mas um frio na barriga ainda se manifestava, o resultado final decidiria muitas coisas em suas vidas.
– Janet!
– Oi Josh! Muito legal a música de vocês!
– Valeu! Ei, ainda vai demorar um pouco pra sair o resultado. Vamos dar uma volta?
– Ta, mas e o resto do pessoal?
– A gente vai ficar por aqui. Vai lá Josh.
– Ta bom, então me avise quando forem anunciar o vencedor.
– Vamos dar uma volta por aí também gente? – perguntou Hayley, já puxando Zac e Jeremy pelo braço.
– E pra onde vamos?
– Não pergunta nada, Zac. Só me segue.
– Espere aí, por que a gente ta indo por aqui? Não me diga que a gente vai... seguir eles? Hayley isso não é certo!
– A gente não conhece aquela garota, digamos que estamos curiosos, só isso.
– Eu não to curioso, você está Jeremy?
– Não. Nem um pouco.
– Ah, fala sério, não sejam chatos! É só uma espiadinha! Olha lá, eles tão saindo!
Hayley puxou os dois amigos que quase foram arrastados até a saída. Eles ficaram espionando os dois que se sentaram em um banco próximo ao estacionamento.
– O que será que eles estão conversando?
– Hayley, vamos embora! A gente ta perdendo o resto do show, fala sério! Zac vamos voltar!
– Poxa, você ta doida! Se o Josh pega a gente aqui ele nos ferra!
– Calados! Se não ele vai ouvir a gente... olha lá, o negócio esquentou! Tão trocando beijos. Ah! Isso é uma coisa rara de se ver, Josh namorando!
- Sujou! Ele viu a gente! Corre!
Era quase impossível que ele não os visse com todo esse barulho e falta de discrição e ainda por cima saíram correndo e gritando atravessando todo o estacionamento para só então voltarem ao show que, a propósito, estava quase acabando.
– É impressão minha ou eles estavam espiando a gente?
– Com certeza! Ah se eu pego eles! Ah, eles vão ver!
Janet riu.
– Seus amigos são muito engraçados!
– É, eles são um pouco doidos, mas eu adoro eles.
Alguns minutos depois de terem saído, Jeremy, Zac e Hayley voltam gritando e pulando.
– Josh! A gente ganhou! Uma grana, cara! A gente vai ganhar uma grana!
No mesmo instante os quatro estavam abraçados comemorando, assim mesmo do lado de fora do lugar em que deveriam estar naquele momento!
– Vamos voltar! Tão chamando a gente.
A cena agora se passa em cima do palco. Cada integrante recebeu um prêmio em dinheiro e a chance de realizar um trabalho com uma gravadora local. É muito difícil descrever a felicidade de cada um dos integrantes da banda! Depois de tanto trabalho eles puderam aprender uma lição: quando se quer algo de verdade se consegue, desde que haja esforço de sua parte. Mas a história não pára por aí! Há muito o que aprender e muito o que fazer. Os sonhos desses quatro estão muito além disso, mas podemos dizer que um grande passo foi dado.

9 de out. de 2008

Capitulo 35: "Show da morte"

– Mas e aí, como foi que sua mãe reagiu quando você contou aquela história do telefonema?
A pergunta do Jeremy foi tão inesperada que Hayley ficou sem saber o que dizer. Naquele momento eles já se dirigiam até o local onde aconteceria a batalha das bandas, no carro de um amigo. Faltavam apenas duas horas para começar o evento e todos os integrantes da Paramour estavam apreensivos, e discutiam sobre a performance no palco tentando desviar a mente do nervosismo. Mas Jeremy subitamente corta o assunto, lembrando-se do que acontecera a alguns dias.
– Não teve reação nenhuma porque... eu não contei.
– Você disse que ia contar! Mas por que fez isso? Você tem idéia do quanto isso é perigoso?!
– Eu sei, Jeremy. Eu sei. Mas você acha que eu estaria aqui hoje se tivesse contado? Francamente, do jeito que minha mãe é, nós, provavelmente estaríamos de viajem para o outro lado do planeta!
– É, mas mesmo assim...
– “Mesmo assim” nada! Eu ensaiei como uma condenada, dei tudo de mim por essa apresentação e não vou deixar que nada me impeça de fazer isso!
– Ei! Vocês dois! Da pra parar com esse blábláblá e olhar aqui um pouco? – interrompeu Zac, que vinha sentado no banco de trás do carro junto de Hayley e Jeremy, sendo que Josh vinha no banco da frente. – Será que esse pessoal vai pro show?
– Só se for o “Show da morte”, não é meu querido? Eu não sei se você percebeu, mas estamos em frente a um cemitério e aquelas pessoas estão acompanhadas de um caixão!
Todos caíram na gargalhada.
– Bastava ter dito “não”, Hayley!
– Olha só, estamos chegando perto! – dessa vez foi o Josh que falou.
Dentro de poucos minutos chegaram ao Centro de Entreterimento, era um prédio enorme e ficava quase fora dos limites da cidade. Era lá onde se realizavam quase todos os eventos importantes da cidade. Dessa vez eles poderiam dizer que nem parecia Franklin. O local estava repleto de pessoas e eles ficaram até um pouco nervosos ao ver a quantidade de bandas que iriam participar. Mas rapidamente recuperaram o ânimo ao encontrar Sr. Coll que parecia estar esperando por eles, e a mãe de Hayley que estava ao seu lado.
– Mãe! O que ta fazendo aqui?
– Ora, vim assistir a minha filhona se apresentar. Não posso?
– Claro que pode!... mãe, eu to tão nervosa! Veja só quantas bandas!
– Não fique assim, querida. Eu tenho certeza que vocês vão se dar bem! Todos vocês!
– E eu também – completou Sr. Coll. – Mas vamos entrando. Falta pouco para começar e vocês ainda precisam se inscrever na competição.
Todos foram levados até o local de inscrição que ficava atrás do palco. Ficaram esperando então em uma fila e aproveitaram para conhecer os outros competidores. Logo em seguida foram até uma sala para conversar com a equipe de som sobre os instrumentos da banda.
– Gente, é o seguinte: a bateria já está lá. As entradas para guitarra e baixo estão lá no palco e são muito fácil de achar. Quando forem se apresentar vocês mesmos plugam, o resto pode deixar com a gente.
– E o microfone vai estar regulado? – perguntou Hayley, já um pouco preocupada.
– Esse é o problema – respondeu um dos organizadores – não dá tempo de regular o microfone na voz de cada cantor. Então a gente vai deixar tudo neutro e vamos ajustando na medida que o pessoal for cantando. Você é a cantora, não é?
– Sou... mas são dois microfones.
– Infelizmente só temos um, sinto muito.
– E agora, Josh?
– Não precisa ficar nervosa, sem problema. A gente toca sim back, não faz mal. Eu já esperava por algo assim.
E ficaram esperando na enorme sala.
– Já sabem quantas bandas vão participar – perguntou um desconhecido, que, provavelmente, pertencia a alguma banda.
– Acho que são mais ou menos umas seis ou sete. – falou sem que ninguém tivesse perguntado ou respondido nada.
– Legal, legal. – respondeu Zac.
– Vocês são daqui mesmo?
– Menos Hayley. E você é de onde?
– De Clarksville, não é muito longe daqui. É uma pena que só tenham um microfone, não é?
– É sim, meu irmão faz back vocal.
– Hmm, sei... é... vou indo, a gente vai se apresentar primeiro. Boa sorte pra vocês.
– Pra você também.
Com mais ou menos trinta minutos de espera o evento começou que foi aberto pelo próprio Karl, que deu as honras. Logo depois começaram as apresentações.
– Josh, a gente quer assistir!
– Eu também, galera, mas não dá. É melhor a gente ficar aqui esperando
E ficaram esperando as quatro bandas terminarem, até o locutor anunciar a sua entrada. Josh, nem um pouco cerimonioso, disse logo:
– É... o momento chegou.

8 de out. de 2008

Capitulo 34: Dia de folga

Os dias passaram rápido. É sempre assim quando temos algo importante pra fazer, o tempo parece avançar de tal forma que nem o vemos passar. Já era terça feira e apresentação seria amanhã. Todos na banda estavam nervosos e cansados. Tinha sido uma semana dura para todos e a exaustão estava até causando um pouco de estresse. Josh ao se deparar com essa situação dos integrantes da banda naquele dia de ensaio resolveu fazer algo diferente.
– Galera, é o seguinte: hoje não vamos ensaiar.
– Mas Josh – exclamou Hayley – como assim não vamos ensaiar?! Estamos a um dia da apresentação!
– Pense bem, nós todos estamos tensos com toda essa ansiedade e o trabalho duro que tivemos na semana passada. Nada mais justo do que um dia de descanso antes da apresentação. Não teremos rendimento algum se nos apresentarmos dessa maneira.
– Josh tem razão, nós estamos exaustos, todos nós. Mas então... se não vamos ensaiar, vamos fazer o quê?
– Eu e digo o que vamos fazer, Jeremy: andar de bicicleta! Não há nada mais relaxante!
– Ei mano, lembra quando a gente era pivete? A gente sempre ficava andando por aí de bicicleta...
– Lembro sim, e a propósito, você ainda é um pivete.
Todos riram, menos Zac.
– Sim, – continuou Josh – tem muitos lugares legais para se visitar em Franklin.
– Então ta combinado. Mas que horas nós vamos? – perguntou Jeremy, já um pouco excitado com a idéia.
– Agora mesmo! Vão em casa só pegar suas bicicletas e a gente se encontra em frente aquela igreja antiga que fica na Main Street. Sabem onde fica?
– Sim, daqui a pouco a gente se encontra lá. Vamos Hayley, você tem bicicleta, não tem?
– Tenho... mas eu na sei se posso ir.
– Ah, vamos! Vai ser legal! Eu aposto que você nunca andou muito a cidade.
– Não... ta bom, então vamos.
Josh e Zac foram imediatamente até a igreja para esperar seus amigos que chegaram dentro de pouco tempo.
– Eu sou uma péssima ciclista, por isso não queria vir.
– Não tem problema... então onde vamos primeiro? – perguntou Zac.
– Vamos subindo pela Mais Street, daí a gente dá uma pausa lá no restaurante do Dotson pra fazer uma boquinha. De lá a gente decide pra onde vai.
– O.k. Josh, então vamos logo com isso antes que eu desista!
E foram pedalando pela Main St. passando pelo centro onde viram uma estátua em pilar alto. Hayley aproveitou a oportunidade pra parar um pouco e respirar.
– Pra que serve essa estátua gente?
– Josh explica pra ela, eu to por fora desse negócio de historia. – desconversou logo Zac.
– Vocês sabiam que a alguns anos teve uma batalha aqui na nossa cidade?
– Eu já ouvi falar. – respondeu Jeremy.
– Aconteceu em 30 de novembro de 1864, eu acho. Foi um dos piores desastres da Guerra Civil Americana. A nossa cidade ficou completamente destruída, ainda bem que reconstruíram tudo algum tempo depois. Em vários lugares da cidade, se você olhar bem, pode ver alguns monumentos que relembram esse fato histórico.
– Falou a enciclopédia ambulante. Você não se cansa de ser nerd?
– Ah, não enche Zac. Você saberia disso tudo se assistisse aula de vez em quando.
– Humilha, vai.
– Parou! Vamos continuar, já recuperei o fôlego.
– Certo Hayley. Então vamos lá.
Continuaram o passeio, mas agora sem pausa até chegarem ao famoso restaurante do Dotson.
– Alguém tem grana?
– Acho que não, Zac. A gente não sabia que íamos vir aqui antes. Josh só avisou a pouco tempo.
– Relaxa galera! Eu tenho grana aqui! Vamos entrado!
– Ótimo Josh! Vamos logo, to morta de fome!
Por fim, depois do lanche, foram até a ponte do rio que não ficava muito longe. De lá a vista era linda! Muitas árvores e ar puro! Era realmente um lugar fantástico! Passaram pouco tempo por lá e foram para casa.
– O dia foi ótimo gente! Mal posso esperar pra me deitar na minha caminha... estou exausta, mas compensou!
– Eu também, to bem mais relachado.
E todos foram para suas casas esperar o grande dia que estava por vir, e não muito longe como dantes, mas sim próximo, bem ali.

7 de out. de 2008

Capitulo 33: Menos tempo

– Sr. Coll! Como foi que você achou a gente?!
– Eu tenho os meus métodos, Hayley. Então essa é a famosa Paramour...
Collins fez um breve aceno com a cabeça. Era um homem que raramente expressava censura ou aplauso. Seu olhar passeou pela garagem personalizada. Era um ótimo local ao seu ver e, como havia percebido desde o início, o ensaio acabara de começar. Essa era a hora mais oportuna pra ouvir a proposta da banda para a competição.
Hayley pareceu entusiasmada com a segunda visita inesperada de Coll e apressou-se em apresentar todos os integrantes da banda. Um a um todos foram se dirigindo até ele.
– Esse é o Zac, nosso baterista.
– Muito prazer, cara. – cumprimentou ele.
– Esse aqui é o Josh, nosso guitarrista. Ele é o irmão de Zac e é praticamente o líder da banda, pois é com ele todo o trabalho de achar lugares onde a gente pode tocar, ele concerta os instrumentos, ele faz os backs vocais, monta os arranjos... ou seja, ele é o cara!
– Muito prazer, Sr. Coll, mas eu não sou tudo isso que a Hayley falou não.
– Ah, ele é modesto também... prazer em conhecer você também rapaz.
–E esse é o nosso novo baixista, o Jeremy. Ele tocava guitarra na banda antiga e ta aprendendo baixo agora.
– E está se saindo muito bem. – completou Josh.
– Hayley já tinha me falado sobre vocês, mas só agora estamos sendo apresentados. Eu sei que devem estar se perguntando “mas que diabos esse homem veio fazer aqui?!”. Bem, eu trago uma boa e uma má notícia. Qual é a que vocês querem ouvir primeiro?
– A má! – gritaram ao mesmo tempo.
– Está bem, então lá vai: a apresentação não vai mais ser no final da próxima semana e sim na metade da próxima semana. Ou seja, daqui a quatro dias.
Josh arregalou os olhos.
– Não pode ser verdade! A gente nem pegou a música direito e ainda falta fazer os arranjos! Duas semanas já são pouquíssimo tempo, quanto mais uma semana e meia!
– Pois é gente... eu não tive culpa. O Karl foi que decidiu isso de última hora, e como vocês são a minha banda favorita eu tinha que falar logo isso, mesmo porque eu já previa que tivessem essa reação. Mas vamos com a notícia boa: quase todos os ingressos já foram vendidos e muito dinheiro já foi arrecadado. Karl resolveu então dar prêmios também para a segunda e terceira melhor banda.
– Isso é muito bom. Muito obrigado por ter vindo aqui avisar isso à gente. Vamos agora continuar o ensaio, galera. Nós só temos pra concluir essa música e deixar tudo O.k. – falou Josh, e todos logo começaram a pegar seus instrumentos e assumir seus postos.
O ensaio terminou mais tarde do que de costume, às 10:00 pm precisamente, Hayley e Josh já estavam a caminho de casa e o dia acabou.
No dia seguinte Josh acordou um pouco mais cedo e também foi à escola um pouco mais cedo, antes do seu irmão. Eram 7:00 horas quando ele chegou lá e ficou sentado na escada em frente ao portão. Em pouco a pessoa que ele esperava apareceu.
– Josh! Que surpresa você aqui tão cedo!
– Oi Janet, eu vim mais cedo porque queria falar com você. Soube da batalha das bandas que vai ter semana que vem?
– Claro! Vocês vão participar?
– Sim. Sabe, eu queria saber se você não poderia, assim, me acompanhar?
– Tipo um encontro?
– É, mas só se você quiser... não tem namorado não é?
– Não... e a propósito, essa é a primeira vez que alguém me convida pra sair.
– Poxa, uma garota tão bonita como você!
– Ah, pára, to ficando envergonhada...
– Então, te vejo na quarta?
– Sim.
– Ótimo! Vai até a biblioteca agora?
– Não, hoje eu tenho aula e preciso ir andando.
– Por quê? A escola acabou de abrir!
– É que eu... tenho que... contar os... os sapos! É isso tenho que contar os sapos para dissecar! Thau!
Janet saiu correndo escola adentro. Seu coração batia forte. Ainda não acreditava que tinha sido convidada pra sair com um dos garotos mais “fofos” da escola.
– Sapo para dissecar?! Meu Deus, como eu sou idiota!

4 de out. de 2008

Capitulo 32: O telefone toca

– Alô?
– É a Hayley?
– Sim, Quem está falando?
– Hayley, sou eu filha, seu pai.
Por um impulso, Hayley acabou batendo o telefone. Estava paralisada, pálida, sem reação. Seu coração pulsava forte, tão forte que quem chegasse perto dela quase poderia ouvi-lo batendo. Seus olhos estavam fixos em lugar nenhum e sua boca entreaberta. Mil e uma perguntas vinham em sua mente, como “será que era mesmo o meu pai?”, ou “como será que ele conseguiu o número do telefone da minha casa?”, ou também “será que eu conto pra minha mãe?”. Respirou fundo. O telefone acabara de tocar novamente. Atender ou não, eis a questão.
– Alô, – falou a voz do outro lado da linha– Hayley? Acho que sim; não esquece de levar a letra da música que você disse.
– Josh... que bom que é você...
– Claro! O único! Tava pensando que era quem? E vê se não se atrasa.
– N-não, pode deixar...
– Hayley, sua voz ta tão estranha. Ta tudo bem com você?
– Sim, ta tudo bem.
– Tem certeza?
– Sim...
– Ta O.k., se você diz, né? Thau!
Nada estava bem. Sua vontade era de sair correndo. Se aquela história que sua mãe contou fosse verdade, elas poderiam estar correndo perigo. “Se ele sabe o nosso número, deve saber também onde a gente mora!”, pensava ela, “ainda mais que estou sozinha”. Seu segundo impulso do sai foi trancar todas as portas e janelas da sua casa, enquanto se vestia pra... sair! “Meu Deus, e se eu sair e ele estiver na rua! E se quiser me pegar!”, “não, não posso pensar nisso. Eu tenho que ir pro ensaio. Ainda está claro, tem muita gente na rua”, “Tenho que ser corajosa!”
E foi seguindo corajosamente seu caminho que já lhe era muito familiar, mas por estar aflita, sentia-se um tanto paranóica. Olhava para todas as pessoas, todos os carros e motocicletas estacionadas. Caminhava rápido, como se estivesse sendo perseguida. Em poucos minutos chegou à garagem da banda, mas pra ela pareceu uma eternidade.
– Oi Hayley – cumprimentou Zac – chegou cedo hoje, ein? Que coisa rara de se ver. O Jeremy ainda não ve... o que aconteceu com você?!
– P-por quê?
– Você está pálida! E está tremendo! Sente aqui, eu vou pegar um pouco de água. Josh! Josh, venha cá, rápido!
– Hayley,eu sabia que tinha acontecido alguma coisa! Sua voz ao telefone não estava normal.
– Aconteceu gente... eu... eu nem sei como, mas aconteceu.
– Conte o que foi então! – falou Zac, que vinha correndo da cozinha derramando quase toda a água do copo pelo chão da casa.
Naquele momento, Jeremy acabara de chegar.
– Nossa! Eu devo estar muito atrasado! A Hayley já chegou!
– Ela não está se sentindo bem, Jeremy. – Falou Josh, que estava sentado ao lado dela com a mão sobre seu ombro.
– Poxa vida, Hayly. Parece que viu um fantasma!
– Pior... quem dera fosse só isso. Hoje eu recebi um telefonema do meu pai, que, segundo a minha mãe, está preso por assassinar um pessoa. Ele não disse nada, também eu desliguei o telefone antes que ele dissesse algo. Fiquei com tanto medo! Isso foi agora pouco, antes de vim pra cá.
Todos estavam chocados com aquela história. Era incrível demais!
– Mas você contou pra sua mãe?
– Não Zac, na hora eu tava sozinha em casa. Fiquei sem reação, não sabia o que fazer! Ainda não sei se conto pra ela ou não.
– Você tem que contar! – desesperou-se Jeremy – Tem que contar! E se ele tiver fugido da prisão e estiver aqui em Franklin? Meu Deus, Hayley! Você está correndo perigo!
– Valeu bundão! Ajudou muito isso que você disse!
– Foi mal Zac. Me desculpe Hayley. Eu me descontrolei. Não to acostumado com esse tipo de coisa.
– Pois eu digo que é melhor a gente não fazer disso um drama maior. Talvez ele tinha ligado mesmo da penitenciaria. Também pode ter achado seu número pela agenda telefônica. Talvez ele tenha ligado só pra saber como era que você estava.
– É, Josh, quem sabe seja isso mesmo. Valeu, você me deixou bem mais tranqüila. Querem saber de uma coisa, vamos esquecer desse assunto e vamos ensaiar! Ta aqui a letra que você pediu.
– Deixe eu ver... Conspiracy... “Cercado pela incerteza eu fico muito inseguro
Me fale por que eu me sinto tão sozinho”, gostei dessa parte.
– É, combina bem com a ocasião.
– Jeremy, dá pra deixar os comentários idiotas comigo? Esse cara ta tomando o meu espaço, fala sério!
– Querem calar a boca vocês dois! Criar uma melodia é trabalhoso, exige muita concentração. Se vocês ficarem fazendo barulho, não dá!
– Calma irmãozinho! Não precisa estressar. Vão criando aí que depois a gente pensa nos arranjos.
No mesmo dia a música já estava pronta. Todos adoraram e se empolgaram com a idéia de tocarem uma música deles, mas infelizmente não tiveram tempo suficiente pra criar os arranjos, que é a patê mais difícil e demorada. Às nove da noite, como sempre, Jeremy e Hayley estavam a caminho de casa. Ele a acompanhou até a porta.
– Não esquece, você tem que contar aquela história par sal mãe. Isso é muito sério Hayley, muito sério.
– Tudo bem. Obrigado por me acompanhar até em casa.
– Não foi nada, thau!
Ela iria contar, mas era melhor esperar até amanhã. Não acordaria sua mãe pra que ela passasse a noite toda preocupada andando de um lado para outro da casa.
– Amanhã. – Decidiu-se enfim, e foi dormir.

3 de out. de 2008

Capitulo 31: Preocupações

– Como é que é?!
Josh estava surpreso. A notícia era incrível e ao mesmo tempo o preocupava. Tinham muito o que fazer em tão pouco tempo, precisavam correr contra o relógio se quisessem ter alguma chance com a batalha das bandas.
– Precisamos dobrar as horas de ensaio. Não só isso, precisamos nos dedicar em dobro – lembrou Zac.
– É, mas vamos tocar o quê? – A pergunta de Hayley não poderia ser mais objetiva. Essa era a parte mais difícil, visto que só tocariam uma música no dia da apresentação. Precisavam de algo único – Eu tava pensando... será que a gente não pode tacar uma coisa nossa? Seria bem mais legal.
– Com certeza, mas você tem uma música? – perguntou Zac.
– Bem, eu tenho uma letra pronta, ta guardada lá em casa. Mas não tem melodia.
– Então você leva a letra pro ensaio hoje que a gente vê como é que faz. Agora a gente tem que voltar pra sala que o sinal já tocou faz tempo. Vejo vocês depois da aula.
Josh separou-se dos seus amigos e voltou pra sala de aula, passando pelo corredor principal. Apesar da preocupação que sentia por pensar em todo o trabalho duro que tinha pela frente, sentia-se feliz, pois essa era uma oportunidade única na sua vida. De tão distraído que vinha pensando nisso, acabou esbarrando com alguém. Era uma garota que vinha andando com uma porção de livros na mão.
– Poxa vida! Me desculpe, eu vinha distraído – falava isso enquanto ajudava a menina a pegar seus livros.
– Não tem problema. Eu também vinha distraída. Só espero que não tenha estragado nenhum livro, são todos da biblioteca.
– Você trabalha lá?
A garota sorriu.
– Não, mas eu praticamente moro lá.
– E qual seu nome?
– Meu nome é Janet. Mas você não deveria estar na sala de aula? Pode deixar comigo, eu levo isso todos os dias.
– Não tem problema se eu te ajudar só por hoje?
– De maneira alguma.
– Sabe, você parece tanto com uma amiga que eu tinha quando era criança – realmente Janet parecia muito com Any. Sua maneira de falar, seu olhar amarronzado, sua boca corada, e principalmente seu cabelo ruivo lembravam muito ela.
– Sério? E ela era bonita?
Dessa vez foi Josh que riu.
– Sim, ela era muito bonita.
– Ainda bem... e porque “era”? Vocês não se falam mais?
– Ela faleceu há alguns anos...
– Ah... sinto muito... ei! Agora que lembrei! Você é o Josh Farro, irmão do Zac Farro! Vocês tocam em uma banda... como é mesmo o nome?
– Paramour.
– É isso aí. Já ouvi falar muito de você, quer dizer, a escola inteira! Mas então, essa é a primeira vez que vai a biblioteca? Isso não vai pegar muito bem pra sua popularidade, ainda mais com uma nerd e um monte de livros nas mãos.
– Há-há, não me importo com isso de ser popular.
– Mas você é... e vai se dar mal se não voltar pra sala agora. Estamos em vésperas de exames finais.
– Shhhh! Silêncio você dois! – Reclamou Caterine, que era a bibliotecária, e, como prece em dia de pentecostes, não admitia nenhum tipo de barulho em seu “território”. – Vocês têm a escola inteira para conversar! Janet, trouxe os livros que te pedi?
– Sim Srta. Caterine, e já folheei alguns, são ótimos.
– Bom Janet, vou indo. – Falou Josh, dessa vez mais baixo.
– Certo. A gente se esbarra por aí.
Ao voltar pra sala de aula, Josh já não pensava tanto na apresentação. Sua atenção estava voltada pra outra coisa, ou melhor, pra outra pessoa. “É incrível como se parece com ela!”, pensava, “ mas não posso me distrair. Lembre-se Josh: a prioridade é a banda.”

2 de out. de 2008

Capitulo 30: A Man and a Woman

Era muito raro William deixar dominar-se por seus sentimentos. Mas dessa vez nem ele poderia segurar sua dor naqueles dias que se passaram desde a última vez que viu sua ex-namorada. O seu senso crítico o fazia questionar-se sobre o motivo da sua tristeza, ainda tinha uma vida toda pela frente... mas o seu coração, pelo menos dessa vez, falava mais alto. Hayley não era sua primeira namorada e com certeza não seria a última, porém foi a única com quem se identificou, sem dúvida ela era uma garota especial.
– Agora... está tudo perdido...– ficava repetindo isso a todo instante.
A noite de Nashville nunca sairia de sua mente. Aquele olhar angustiado e desesperado encarando-o com a maior expressão de ódio que já tinha visto. Arrepiou-se.
Enquanto desfrutava do doce silêncio da noite, William ouvia "A Man and a Woman" do U2, uma de suas bandas favoritas, pensando em todos os lindos momentos que havia passado junto da menina de labelos loiros, mesmo que, de início, não sentisse absolutamente nada por ela. "Sou o pior ser humano do mundo!" – pensava, enquanto o refrão da música tocava "I could never understand the mysterious distance between a man and a woman". Algumas lágrimas já rolavam de seus olhos, mas seu rosto permaneceu estático, não mechia nem um músculo, sentia apenas uma imensa dor por dentro.
– Não posso ficar assim!
Vestiu a sua jaqueta e saiu de casa no meio da noite. Seus pais estavam bêbados e dormindo no sofá, com certeza não perceberam quando o filho bateu a porta.
Naquele momento ele seguia para lugar nenhum. As ruas estavam desertas de gente. Passou pela Second Street, seguiu direto duas quadras dobrando a direita uma, duas vezes. Quando deu por si, estava em frente a casa de Hayley. Todas as luzes estavam apagadas, exceto uma, justamente a do quarto dela. William parou e ficou observando hipnotisado diante daquela janela que estava aberta.
– Uma hora ela vai aparecer pra fechar.
De repente ouve-se passos vindos do final da rua em sua direção. William olhou pra trás e tentou ver quem se aproximava. Era Zac! Caminhou até próximo de onde ele estava e também ficou olhando pra janela, em seguida encarou William e abriu um sorriso meio que de lado.
– É estranho você aqui a essa hora. O que quer? Será que ela não foi clara o suficiente quando disse que não queria mais você?
William não respondeu.
– Você está esperando que ela apareça na janela de repente e reparar em você? Entenda amigo, que ela nunca mais vai fechar aquela janela novamente.
– O que você está querendo dizer com isso?
Ouviu-se um grito vindo do interior da casa. William correu obstinado até a porta da frente que eventualmente estava aberta. Seguiu até o quarto de Hayley. Nem precisou girar a maçaneta, a porta estava entreaberta. Empurrou-a e entrou e para a sua surpresa e espanto, Hayley estava caída no chão sobre uma imensa poça se sangue. Ao se deparar com cena, William quase desmaiou, mas conseguiu firmar-se sobre os joelhos e rastejou até o corpo da sua amada que estava jogado. Viu que os olhos dela ainda estavam abertos, os mesmos olhos que o encararam a tanto tempo. Uma risada espantosa podia ser ouvida do lado de fora da casa, era o Zac, ao mesmo tempo gritava "William, William..."
– William! Acorda! Você acha que só porque é final de semana vai ficar dormindo até tarde? A grama não vai se aparar sozinha, sabia?
– Mãe, ainda bem que me acordou! Eu estava tendo um pesadelo terrível!
– O que houve, querido? Você está pálido!
Ele precisava muito contar o que estava sentindo, e essa era a hora mais oportuna.
– Eu fui um idiota com a Hayley. Fingi que gostava dela só pra trazê-la pra minha banda. Agora eu perdi tudo, tanto a banda, quanto ela. Eu estou enlouquecendo de tanto remorso!
– Já tentou pedir desculpas?
– Já, mas ela nem quis me ouvir.
– Sabe filho, eu e seu pai não somos ótimos exemplos com certeza. Eu sei que você já sofreu muito por nossa causa, nós bebemos muito e às vezes fazemos algumas coisas que depois nos arrependemos. A melhor maneira de se libertar disso que você está sentindo é com um pedido de desculpas sincero, mas espere a oportunidade certa. Sempre tem um momento em nossa vida que somos mais maleáveis.
– Certo, mas quando eu vou saber que esse momento chegou?
– Você vai saber. Agora levanta daí e vai fazer alguma coisa! Mente ocupada não pensa besteira, era o que meu pai sempre dizia.
– Falando nisso, cadê meu pai? – Mãe!! O que foi isso no seu braço?! Que mancha roxa é essa, não me diga que...
– Não! Foi só uma pancada na estante, só isso.
William jamais engoliria essa história. Por um momento pensou que aquele sonho poderia ser... – sentiu outro calafrio.
Seja o que for que tenha acontecido com sua mãe ele iria descobrir. Essa era uma de suas qualidades, a insistência. Nisso ele era bom.

1 de out. de 2008

Capitulo 29: Um estranho visitante

A neblina espessa que circundava toda Franklin, como uma imensa colméia cinza, tornava qualquer dia mais deprimente. Poucas pessoas decidiam sair de casa quando o tempo estava assim. E pensar que seria apenas mais um dia chato de inverno, como todos os outros. Mas o aparecimento de uma pessoa mais que especial faria todo aquele dia triste transformar-se em uma manhã radiante! O sujeito de aparência estranha que estacionou o seu fusca vermelho vibrante bem em frente a casa de Hayley Williams tinha uma feição quase patriarcal, e estava vestido com um terno escuro , que nada combinava com uma gravata vermelha que ofuscava todo o resto da roupa. Ele caminhou lentamente até a porta da casa da garota e apertou a campainha. Não demorou muito para que fosse recebido, apesar de não esperar tanto entusiasmo, visto que não a conhecia muito, mas suas suposições não valeram dessa vez. Já Hayley, ao abrir a porta quase caiu pra traz de tanta surpresa.
– Sr. Collins!
– O único! E aí, como vão as coisas?
– Nossa, mas que surpresa incrível! Como conseguiu achar a minha casa?
– Eu tenho meus informantes – falou de uma maneira muito espontânea –. Mas e aí, tudo bem com você?
– Tudo bem, vamos entrando.
–Hayley, quem está aí? – perguntou sua mãe, caminhando em direção a sala.
– Vem aqui mãe! Esse aqui é o Sr. Collins, meu amigo que conheci em Nashville. Collins, essa é minha mãe, Sra. Myle Lee Jonas.
– Muito prazer, mademoiselle. – Cortejou Sr. Coll, beijando respeitosamente a mão direita da Sra. Jonas de uma forma até um pouco galante. – Conheci sua filha de uma maneira bem pouco convencional, mas posso garantir que sou um grande admirador da voz dela e da coragem também.
– Mas você só veio de visita? – Desconversou Hayley, antes que seu amigo contasse toda a história da viajem a Nahville.
– Sim, sim. Na verdade, eu gostaria de lhe fazer um convite, se sua mãe permitir, claro. Meu amigo Karl, dono do Rock's Club, está querendo estender o seu negócio até Frankiln, e vai organizar uma batalha das bandas aqui na sua cidade. É apenas uma maneira de saber se seu negócio vai dar certo aqui, pois dependendo do número de pessoas que comparecer é que ele vai construir o clube. É como um teste pra saber se o pessoal daqui gosta mesmo de rock.
–Nossa! Mas quando vai ser isso? – Perguntou Heyley.
– Daqui a duas semanas.
– Só?! Preciso avisar isso urgentemente aos meninos! A gente voltou a ensaiar agora sabe, com uma banda nova, e entrou um novo integrante! Como é que vai dar tempo de montar um repertório assim em tão pouco...
– Filha, não está esquecendo de nada não?
– E eu vim justamente aqui – retrucou Coll ao perceber o semblante preocupado da mãe da garota – pra falar com a senhora. Sua filha tem um grande talento pra cantar, eu pude conferir na BP que aconteceu aqui alguns dias atrás.
– Você estava lá?!
– Sim. E lembrando que o prêmio para a melhor banda é de dois mil dólares para cada integrante e um contrato com uma gravadora.
– Mas isso é sério?
– Claro que sim! Nós estamos divulgando esse evento em todo Tennessee, e pretendemos com isso alavancar muitas jovens bandas.
– Não é perigoso e nem vai precisar faltar na escola?
– De forma alguma. – respondeu Coll calmamente.
– Olha mãe, você sabe que esse é meu sonho e eu também já te disse que nada vai me impedir de seguir em frente, então não importa o que a senhora diga que vai ter marginal, ou que...
– Filha... – interrompeu a Sra. Jonas com aquela voz carinhosa que só as mães conseguem fazer. Agachou-se e olhou no fundo dos olhos do seu precioso tesouro. – eu deixo.
– Ta falando sério?!
– É lógico que estou, não pareço estar falando sério? Sr. Collins, minha filha não só vai participar como vai ganhar!
– Mãe, você é a melhor!
Os dias que se seguiram depois da inusitada visita do Sr. Coll foram cansativos. A banda tinha reiniciado a pouco tempo, então precisavam do triplo de esforço e o quádruplo de ensaios. Todos deram tudo se si. Mas não podemos ser tão breves ao falar dessas duas semanas em que vários acontecimentos fizeram com que esses amigos criassem elos muito mais fortes, quase inseparáveis.